Entrada de água em motor de embarcação: investigação pericial e análise de falhas mecânicas

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Estudo de caso baseado em perícia judicial, com preservação da identidade dos envolvidos.

Quando o sintoma não revela a causa

Uma embarcação apresentou ruído intenso e anormal no motor, além de indícios de contaminação do óleo lubrificante por líquido externo. A investigação pericial identificou duas frentes distintas: o possível ingresso de água pelo sistema de exaustão e a deficiência de tensionamento de uma corrente metálica.

A apuração considerou documentos, histórico de manutenção, inspeção de componentes e análise dos mecanismos físicos associados. A ocorrência simultânea de sintomas não significa que todos tenham uma única causa.

Entrada de água pelo sistema de exaustão

Em determinados conjuntos de propulsão com rabeta, o fluxo dos gases de combustão contribui para expulsar a água pelo escapamento enquanto o motor está funcionando. Com o motor desligado, o nível da água e a geometria da instalação tornam-se particularmente relevantes.

A investigação examinou a possibilidade de que o aumento de peso na popa, associado à ação das ondas, elevasse a água até a região inferior da mufla, favorecendo seu ingresso. Foram observados vestígios compatíveis com contaminação, sem sinais de alagamento do compartimento do motor.

Essa interpretação deve ser avaliada conforme a configuração da embarcação e as condições reais de operação.

Ruído anormal e falha no tensionamento da corrente

A inspeção identificou tensionamento inadequado da corrente, associado ao comportamento de uma mola fita que deveria manter a pressão do suporte contra a corrente.

Foi observada deformação plástica da mola com pequeno esforço, incompatível com a função elástica esperada. O laudo levantou a hipótese de inadequação das propriedades mecânicas do material ou de seu tratamento térmico, recomendando ensaios de microdureza e metalografia para caracterização mais precisa.

É essencial diferenciar a deformação observada da confirmação laboratorial de sua origem.

Análise de causa raiz: metodologia dos 5 Porquês

A metodologia dos 5 Porquês foi utilizada para estruturar a investigação dos dois modos de falha. Em vez de encerrar o diagnóstico no “barulho do motor” ou no “óleo contaminado”, o exame buscou identificar componentes, mecanismos e condições capazes de explicar os sintomas.

Essa abordagem contribui para distinguir constatações, hipóteses técnicas e medidas corretivas.

Prevenção de falhas e segurança operacional

A perícia também avaliou orientações ao usuário e recursos de advertência. Foram registradas a ausência de avisos afixados sobre determinadas condições críticas e a ausência de alarmes específicos relacionados ao nível de água e ao ingresso em regiões sensíveis do sistema.

O conceito de poka-yoke, aplicado à prevenção de erros e falhas, pode orientar soluções de engenharia para reduzir a possibilidade de recorrência.

Conclusão

O estudo demonstra que um mesmo equipamento pode apresentar mecanismos de falha independentes. A investigação técnica examinou a possível entrada de água pelo escapamento e o comportamento anormal do tensionador de corrente, preservando a distinção entre evidências observadas e hipóteses dependentes de exames adicionais.

A perícia de engenharia mecânica fornece subsídios para esclarecer controvérsias, avaliar danos materiais e orientar ações corretivas e preventivas.

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Nota editorial: artigo baseado em experiência pericial real, sem identificação das partes, da embarcação ou do processo. Não constitui reprodução integral do laudo nem informação sobre decisão judicial.

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